domingo, 17 de março de 2019



Dentro de um avião o ator Luís Gustavo, tem uma grande ideia: um programa humorístico gravado num teatro com plateia, uma espécie de teatro televisivo, no estilo Família Trapo Texto transcrito de um diário iniciado dia 14/03/1999.

Programa humorístico Sai de Baixo.

Biografia

1996- mês de fevereiro mais ou menos, a Rede Globo de televisão começa a trabalhar sua nova programação.

“Uma ideia que vem de cima”¹. Levou a ideia para o diretor Daniel Filho que assumiu a direção.

O teatro Procópio Ferreira foi o local escolhido para as gravações do humorístico, lá foi montado o cenário de um apartamento onde aconteceriam as maiores loucuras. As aventuras da família se passariam no Largo do Arouche em São Paulo. A série foi batizada de Sai de Baixo e seria apresentada todo domingo após o Fantástico.

Elenco, história e personagens

Luís Gustavo, dono da ideia, vive Vavá, (Vanderlei Mathias) um paulistano de meia idade, que mora sozinho no apartamento do Arouche, e desfruta todos os prazeres que a vida de solteiro lhe permite. É dono da Vavatur, agência de turismo que tem como cartão postal o Pantanal Mato-grossense.

Aracy Balabanian é Cassandra, irmã de Vavá, viúva de um brigadeiro, o Brigadeiro Salão. Dama da sociedade paulistana, vive nem uma mansão com sua filha Magda e o genro picareta Caco Antibes.

Marisa Orth é Magda, moça fina que estudou nos melhores colégios de São Paulo, recebeu a melhor educação e no entanto de nada adiantou: tornou-se uma dondoquinha chique, sensual, porém burra feito uma porta. É louca por sexo, junto com o marido Caco faz a casa pegar fogo com uma modalidade sexual que sabe Deus o que que é: o Canguru Perneta.

Miguel Falabella dá vida ao trapaceiro Caco Antibes, milionário falido, que vive às custas do tio da esposa. Tem sempre ideias mirabolantes que nunca dão certo, tem alergia ao trabalho.

Claudia Jimenez interpreta Edileuza, uma empregada muito insolente que divide seu tempo entre os serviços da casa, a Vavatur  e ainda consegue infernizar a vida dos parentes do patrão, tem afair com o porteiro Ribamar.

Tom Cavalcante é o porteiro Ribamar, cearense como seu intérprete, possui uma placa de metal na cabeça que o conecta com os mais diversos canais e até com internet, basta ligar um aparelho eletrônico perto dele. Namora Edileuza, mas sente uma forte atração por Magda.

Durante os acertos de figurino, cenário o elenco e a produção do programa recebeu a visita do Vídeo Show, todos muito entusiasmados com o desafio de fazer televisão com plateia:

-O programa é gravado ao vivo, se houver algum erro os atores vão ter que se virar. Diz Cécil Thiré. 

-Vai ser difícil, porque é uma mistura de teatro com televisão, é um teatro televisivo. Declara Luís Gustavo.

Tom Cavalcante e Marisa Orth fazem algumas declarações sobre suas personagens:

-Ele é um porteiro cearense que tem uma placa de metal na cabeça e recebe mensagens de outros estados e até interplanetárias, quando liga perto dele alguma coisa eletrônica como rádio, televisão e celular. Diz fazendo algumas imitações.

-É assim que ela dorme. Isso aqui é a camisola dela, olha como é chique essa minha personagem!  Declaração de Marisa Orth enquanto experimenta o figurino.

Na segunda visita do vídeo Show aos ensaios, Renata Ceribelli encontra o elenco todo reunido, às vésperas da estreia, Aracy Balabanian, que havia fechado o ano de 1995 com chave de ouro, com a inesquecível Filomena Ferreto falou sobre o novo rumo da sua carreira:

-Até agora eu só ri, eles são mestres e eu não sou considerada uma atriz de humorismo, estou tentando aprender com eles.

Miguel falou do desafio de decorar o texto e apresentar ao vivo, sem chance de concertar o erro.

-A gente chega de manhã, pega o texto decora, ensaia à tarde, pra noite apresentar.

Claudinha Jimenez muito descontraída brinca com o colega Miguel Falabella no camarim e Marisa Orth comenta uma cena em que ela e Miguel  tem fazer uns urros, e assim o tempo corre.

A estreia

A estreia  foi no dia 31 de março de 1996, depois do Fantástico. Não consegui assistir o primeiro episódio “A festa de Babete”, só consegui assistir dezessete anos depois.

Depois de uma noitada com Anita (Paula Burlamaqui), Vavá diz para Edileuza que mora sozinho porque sua família é muito complicada. Nesse momento a campainha toca e surge Magda de mala e cuia. Cansada de ter subido seis andares de escada diz que sua mãe explica tudo, ele enlouquece com a visita dos parentes. Quando sua irmã Cassandra diz que ela,  a filha e genro perderam tudo e foram assumir a metade do apartamento que cabia à ela. Sem saber o que fazer para espantar os parentes Vavá diz que está noivo prestes a casar e por isso eles devem ir embora.

Como a família insiste em conhecer a noiva Edileuza prepara um jantar “A festa de Babete” para Babete a suposta noiva. Ribamar se disfarça da homenageada e tudo corria loucamente bem até que Caco liga um celular e “ela” intercepta a ligação. Aí não teve jeito a família ficou.


Meu interesse pelo programa surgiu desde o primeiro momento que o assunto foi mencionado no Vídeo Show, a ideia era muito inteligente, mas virei fã de carteirinha quando ouvi que Aracy Balabanian integraria o elenco. Em 1995, ela emocionou o Brasil com a personagem Filomena Ferreto em “A próxima vítima”, novela de Sílvio de Abreu que parou o país.

Estava curiosa para ver aquela mulher fazendo comédia, não imaginava como seria.


O Miguel Falabella vivia um vilão muito mau em “Cara e Coroa” novela de Antônio Calmon, que ia ao ar às 19:00 horas, apresentava o Vídeo Show e atuava e escrevia no teatro. O Tom Cavalcante fazia show humorístico e depois que a Escolinha do Professor Raimundo tinha acabado aparecia de vez em quando na tv. Também conhecia a Claudia Jimenez da Escolinha como a D. Cacilda, o Tatá (Luís Gustavo) já o conhecia fazia um tempo que não o via, mas gostava dele.

Ainda no ano 1995, assistindo à uma matéria do Vídeo Show sobre anjos da guarda de artistas a secretária da Marisa Orth, uma moça chamada Olívia era a eficiência em pessoa. Na hora associei o nome Marisa Orth à uma cantora, depois lendo uma reportagem da Revista Veja, sobre um espetáculo do autor norte- americano Edward Albee “Três Mulheres Altas” e uma das atrizes da peça era a Marisa Orth. “É uma atriz e não cantora”. Durante a programação de férias da Rede Globo na reprise do episódio “O sexo na cabeça”, da “Comédia da vida privada”, minha mãe falou:

-Lembra dessa moça, ela foi a Valquíria na novela Deus nos acuda? Tive que pensar uns minutos, mas lembrei. 

Quando vi a Magda em cena fiquei tão encantada com o talento da atriz, que não notei que a personagem era burra. Acreditem ou não: só essa característica na chamada do terceiro episódio “Nasce uma nova estrela”, foi de manhã quando a emissora anunciava a atração ela dizia:

Magda:-Poso nua nem que chova cotonete.

Cassandra:- N.A.O til: NÃO!

Magda:-Ç.I.M! Sim!

Aí eu entendi porque mandavam- na calar a boca.                   

  



 

Domingo é um dia de descanso para muitos, de aproveitar com a família para outros, mas para quem mora sozinho é um dia de solidão. Por isso a maioria dos suicídios acontece nos domingos. Depois da estreia do Sai de Baixo esta estatística caiu; todo mundo esperava o Fantástico acabar para ver qual seria o plano mirabolante de Vavá para expulsar a família, as malcriações de Edileuza, as trapalhadas do Ribamar, as loucuras da Cassandra e as pérolas da Magda.

O segredo do “Canguru perneta”, passou frequentar a imaginação de todos, segundo Marisa Orth em entrevista à apresentadora Xuxa: “É uma coisa que pula e tem ima perna só.”

Caco e Magda eram dois atletas sexuais, o que faltou de massa cinzenta no cérebro da moça sobrou em hormônios sexuais, ela era uma verdadeira tarada. Suas performances sexuais mexiam com a imaginação do porteiro Ribamar, que apesar de se enroscar com Edileuza sonhava com o dia que faria loucuras com Magda.

Vavá passou a sustentar a família, já que Caco não estava nem aí para trabalho, pois segundo ele “quem trabalha é pobre, imagina se um homem alto, um homem louro ia pegar no batente”. E Cassandra apesar de receber a pensão do Brigadeiro não abria a mão. De modo que além de perder a privacidade Vavá também virou arrimo de família. Os luxos do marido da sobrinha passaram a cair na fatura do seu cartão de crédito e tudo virou um inferno.

Um bordão clássico que de cara caiu na boca do povão foi o: Ohohooooooohhhhhhhhhhh!!!! Dito por Edileuza e Caco. Numa entrevista ao Domingão do Faustão Claudia Jimenez disse que nasceu do improviso, quando ela e Falabella ensaiavam e ele ameaçou contar uma história del, ela o encarou, apontou o dedo e falou

Ohhhhhhhhhh! O diretor gostou e virou marca do programa.

No episódio “O sexo nosso de cada dia” quinto a ser apresentado Aracy Balabanian deu um show de interpretação. Cassandra saia para um baile das veteranas e acaba passando a noite fora de casa. Magda fica desesperada achando que a mãe foi sequestrada, mas a viúva chega em casa no maior porre. Ao voltar no seu estado normal, ela recebe flores de Juarez e lembra tudo o que fez na noite anterior. Havia feito loucuras com um garotão. Caco achando que o rapaz vivido por Rodrigo Santoro, que fazia enorme sucesso no horário nobre, era rico fez de tudo para casar a sogra com o mancebo, tentou até acabar com a grave de sexo que vinha fazendo com Magda e deixando a esposa louca. No final a amante garotão era tão rico quanto eles e Vavá não conseguiu se livrar  da família. O episódio rendeu `Aracy Balabanian o ‘Troféu Cassiano Gabus Mendes”, um prêmio dado pelo “vídeo Show” a à melhor cena da semana.       

                  

  

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